É natural?
Tenho ouvido essa pergunta o tempo todo e em lugares antes impensáveis: no meio do SPFW, na banca de verduras da feira, nas perfumarias, nos restaurantes. Nossa preocupação em consumir itens preparados com o mínimo possível (ou nenhum) ingrediente que agrida a natureza é cada vez maior. Forte lá fora, essa onda começa a ganhar espaço também no Brasil. O portal britânico WGSN apontou a busca pelo natural como uma das macrotendências para as próximas temporadas. A ecologia e a natureza são os pontos de destaque e devem se tornar fonte de inspiração até mesmo para a indústria do luxo. Uma mudança radical, que na Europa e nos Estados Unidos já atingiu a gastronomia, com chefs aderindo à meta corante zero nos alimentos.

Recentemente, fui ao lançamento da marca grega Korres, que desembarcou no Brasil com sua linha de produtos de beleza toda manipulada com ervas naturais e com base em conceitos da homeopatia. Nas embalagens, há sempre uma listagem mostrando que ativos foram (e quais não foram) usados na fórmula. Dias depois, no balcão da mesma marca, ouço duas clientes curiosas perguntarem à vendedora: “É natural mesmo?”. A Bourjois também entrou nesse movimento com a linha Healthy, feita à base de frutas. Além de maquiar, as novidades tratam a pele.
Tudo isso me lembra como a corrida pela civilização nos distanciou da natureza. Não sabemos mais ler os sinais que ela envia, entender quando vai chover olhando o céu e sentindo o cheiro da terra. Quem sabe essa mudança de postura nos faça retomar um pouco desse passado – desde que nenhuma bactéria alemã desenvolvida numa fazenda orgânica nos desanime nessa retomada!




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