Democracia fashion

Publicado em 23.09.11 | por

Trabalhar em revistas e sites de moda é uma experiência engraçada. Somos as primeiras a vibrar com as novidades e a desejar todo tipo de peça muito antes de elas se materializarem nas araras das lojas. Afinal, antes de sermos jornalistas, somos mulheres (com todos os defeitos, desejos e direitos). Quantas vezes não peguei na redação frases do tipo: “Preciso desse blazer tangerina”, “Esse escarpim de verniz colorido foi feito para mim”, “Como vou viver sem essa pantalona de cetim?”.

Mas outro dia ouvi uma frase que está se tornando rotineira: “Essas roupas nem chegaram ao Brasil e parece que já cansei delas”. De fato, quando as tendências mostradas lá fora desembarcam por aqui já vimos tantas fotos, tantos desfiles, tantos vídeos com elas que a sensação é de déjà vu.

O mais curioso é que esse cansaço por excesso não acomete só quem trabalha na mídia, mas chegou às ruas, à consumidora final. Enquanto há uma verdadeira guerrilha de lançamentos (as fast fashions são capazes de reproduzir looks de passarela em dois dias), ganha força a corrente do “use bem o que você já tem”. Bom exemplo é o blog Um Ano Sem Zara, associado ao MODASPOT e que faz um mega sucesso pregando passar um ano sem comprar sequer uma camiseta nova.

Enquanto o color blocking está bombando nas coleções, nas ruas o que se vê (além das tais cores em bloco) é uma mistura de estilos, tons, formas (atuais ou antigos) – tudo muito bem temperado pelo gosto pessoal. Sinal de que se há espaço para a massificação, há também para a customização, para a construção de um estilo próprio. O que é ótimo. Para o bolso de cada um e, melhor ainda, para o planeta. É o auge da democracia fashion!

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