Moda X arte no Conexões Contemporâneas
É um dado dos últimos tempos: em algum momento, todo mundo se convenceu de que a especialização era o melhor caminho. Colocar todo o nosso talento, todas as nossas fichas profissionais, todos os nossos interesses em uma mesma área era o caminho. Mas aí parece que as pessoas estão cansadas da compartimentalização das áreas de conhecimento – e não é à toa que os cursos livres estão explodindo por aí.
O Conexões Contemporâneas, evento promovido pela revista LOLA, junta grandes nomes de diferentes campos de atuação para mostrar que todo tipo de conhecimento se conecta, tudo é uma coisa só – é só saber ligar os pontos. O primeiríssimo encontro da série, construído em parceria com a OX, discutiu o seguinte: moda é arte?
Foi uma noite sensacional, na Casa das Rosas, aquele casarão lindão do Ramos de Azevedo em plena avenida Paulista – hoje um templo da poesia. Entre jogos de luzes e projeções de vídeos, a dama da moda Costanza Pascolato e o filósofo Luiz Felipe Pondé – com mediação feita pela escritora Hilda Lucas e por mim – discutiram o tema. Bons frasistas, bem-humorados, cheios de boas e fortes opiniões, eles falaram sobre o tema que atormenta a alma de quem trabalha com indústria criativa: arte e grana podem conviver? Criatividade é a mesma coisa que fazer arte?
Não daria, claro, para reduzir as ideias deles em um tweet – embora as frases deles, sobre quase tudo, tenham feito a festa das redes sociais. Mas, em linhas gerais, é o seguinte: Costanza acha que moda não é arte – e como pode acontecer com quase tudo, pode virar arte em alguns momentos bem específicos, quando transcende mesmo, vira outra coisa. Pondé acha que esperar que arte não envolva dinheiro é só um ideal romântico — coisa da burguesia enfadada dela mesma e procurando pureza onde ela não existe. Como na vida real arte envolve grana e moda envolve grana — as duas se equivalem nesse aspecto. Aí, então, está uma conexão entre as duas coisas. Além disso, ele vê o ato de se vestir como uma grande dramaturgia – e aí aparece outra conexão.
Parece papo cabeça – e até que é – mas a conversa foi uma delícia. O salão montado uma varandona no segundo andar da Casa das Rosas lotou – e todo mundo ficou por duas horas lá, ouvindo o bate-papo, entre momentos de reflexão e algumas boas risadas. Foi uma uma noite e tanto na avenida Paulista.





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