Angélica Santa Cruz

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Angélica Santa Cruz

Moda X arte no Conexões Contemporâneas

Publicado em 28.11.12 | por
Conexões Contemporâneas, evento de Lola, discute moda X arte

Conexões Contemporâneas, evento de Lola, discute moda X arte

É um dado dos últimos tempos: em algum momento, todo mundo se convenceu de que a especialização era o melhor caminho. Colocar todo o nosso talento, todas as nossas fichas profissionais, todos os nossos interesses em uma mesma área era o caminho. Mas aí parece que as pessoas estão cansadas da compartimentalização das áreas de conhecimento – e não é à toa que os cursos livres estão explodindo por aí.

O Conexões Contemporâneas, evento promovido pela revista LOLA, junta grandes nomes de diferentes campos de atuação para mostrar que todo tipo de conhecimento se conecta, tudo é uma coisa só – é só saber ligar os pontos. O primeiríssimo encontro da série, construído em parceria com a OX, discutiu o seguinte: moda é arte?

Foi uma noite sensacional, na Casa das Rosas, aquele casarão lindão do Ramos de Azevedo em plena avenida Paulista – hoje um templo da poesia. Entre jogos de luzes e projeções de vídeos, a dama da moda Costanza Pascolato e o filósofo Luiz Felipe Pondé – com mediação feita pela escritora Hilda Lucas e por mim – discutiram o tema. Bons frasistas, bem-humorados, cheios de boas e fortes opiniões, eles falaram sobre o tema que atormenta a alma de quem trabalha com indústria criativa: arte e grana podem conviver? Criatividade é a mesma coisa que fazer arte?

Não daria, claro, para reduzir as ideias deles em um tweet – embora as frases deles, sobre quase tudo, tenham feito a festa das redes sociais. Mas, em linhas gerais, é o seguinte: Costanza acha que moda não é arte – e como pode acontecer com quase tudo, pode virar arte em alguns momentos bem específicos, quando transcende mesmo, vira outra coisa. Pondé acha que esperar que arte não envolva dinheiro é só um ideal romântico — coisa da burguesia enfadada dela mesma e procurando pureza onde ela não existe. Como na vida real arte envolve grana e moda envolve grana — as duas se equivalem nesse aspecto. Aí, então, está uma conexão entre as duas coisas. Além disso, ele vê o ato de se vestir como uma grande dramaturgia – e aí aparece outra conexão.

Parece papo cabeça – e até que é – mas a conversa foi uma delícia. O salão montado uma varandona no segundo andar da Casa das Rosas lotou – e todo mundo ficou por duas horas lá, ouvindo o bate-papo, entre momentos de reflexão e algumas boas risadas. Foi uma uma noite e tanto na avenida Paulista.

A tendência de ontem

Publicado em 02.12.11 | por

Já que no Movimento Habla a gente faz esse sensacional exercício de olhar para a frente, aqui vai uma proposta: como será que vão nos ver daqui a uns 60 anos?? As pessoas vão achar graça na maneira como a gente interpreta o nosso tempo? Ou vão pensar “nossa,  que assunto atual!”?. E será possível acontecer o improvável: as duas coisas?

Tive as duas reações dia desses – e justamente quando olhei para trás. Foi espiando  essa edição da revista Cinelândia, de… julho de 1956.

Olha que do caramba a matéria de capa deles. O título: “Há lindas garotas em Hollywood ainda… Solteiras e Independentes”. Tudo nos conformes, não fosse o estranhamento da palavra “ainda”.  O texto foi escrito 21 anos antes da lei que instituiu o divórcio no Brasil, portanto, era moderníssimo. Mostra a casa de várias moçoilas que por algum motivo moravam sozinhas. Entre elas, Joan Collins que “já teve seu lar, onde cozinhava arrumava a casa e lavava pratos” mas depois de “um casamento fracassado”, foi morar só e declarou: “Não possuo móveis e detesto aluguéis longos”.

Mas, claro, para nossos olhos de hoje, a coisa é engraçadíssima. A matéria acha bem “mudérno” que uma dama more sozinha, desde que seja só um pit stop para o próximo casório. Tasca umas pensatinhas que agora renderiam, sei lá, um processo por danos morais movido pelas 7 milhões de almas que, de acordo com o IBGE, habitam as tais unidades domésticas unipessoais (UDU) espalhadas pelo Brasil.

Repare nessa: “Todos achavam que, depois do divórcio, Barbara Rush passaria a levar uma vida reclusa e sem objetivo. Mas hoje ela anda mais ocupada do que nunca. É ela quem cozinha para o filho, para sua mãe e sua irmã e (…) sua carreira está em franca ascensão”. Ou atente para a conclusão da matéria: ”A única coisa que elas têm em comum, ou melhor, que elas não têm, é um marido, e todas elas concordam que embora a vida de solteira tenha suas vantagens, a de casada é muito melhor!”.

Pois é…  Aos 55 aninhos, a matéria é moderninha, pero no mucho. Mas, pensando bem, isso até que é tendência…

McQueenmania pegando fogo

Publicado em 25.05.11 | por

Um grupo de senhoras espanholas na minha frente, um octogenário inglês atrás de mim, um casal espanhol ali pela casa dos 70 ao meu lado. Todos  bem longe do perfil da turma cheia de informação fashion. E todos com aquele mesmo olhar de curiosidade contemplativa de quem vai ao Louvre ver a Monalisa pela primeira vez. É a exposição Beleza Selvagem, dedicada ao estilista Alexander McQueen, no Metropolitan Museum of Art, em Nova York.

Logo na entrada, os curadores justificam a retrospectiva dos 19 anos de carreira do britânico de mente delirante: “McQueen era um artista, cuja forma de expressão era a moda” O andar da exposição é o único lugar lotado do prestigioso museu que acumula Van Goghs, Picassos, Dalis, Klees, Matisses, Monets e assim vai.

Para espiar a sucessão de vestidos lindos, meio oníricos, meio doidões, é preciso se meter em um amontoado de gente que entra em câmaras escuras, segue em fila indiana e suspira até mesmo diante de uma bem iluminada fileira de terninhos pretos. É realmente impressionante o ar solene das pessoas.

Na saída, outra muvuca, desta vez para comprar a réplica em miniatura do sapato Armadillo. “A gente repõe o estoque a cada dois dias, todo mundo quer!”, diz a moça do caixa da lojinha. Achei que sair de lá sem um seria mais ou menos o equivalente a ver o muro de Berlim cair e não pegar nenhuma pedrinha. Aí comprei o meu, um dos últimos da prateleira (U$ 25, dá para comprar pelo site do museu).

Nas vitrines da Bergdorf Goodman, em plena quinta avenida, outras cenas emocionadas: indianos, brasileiros, italianos e, claro, japoneses, se revezando para tirar fotos das vitrines cheias de roupas alucinantes by McQueen. Tem até quem vai de dia e volta à noite, para pegar os cenários iluminados. De novo, uma liturgia de quem está perto de obras de arte. É isso: se alguém ainda tinha dúvidas, os limites entre moda e arte estão por um fio. Mas McQueen está quase cruzando as fronteiras da devoção, hein? Daqui a pouco ele faz milagres.

Um imenso hábito de consumo

Publicado em 11.04.11 | por

Nove mulheres e… um imenso hábito de consumo. As leitoras de LOLA Magazine estão como os bilionários russos: comprando o mundo inteiro!

Acabo de voltar de um encontro com doze mulheres que lêem a revista, todas com mais de trinta anos, bem-sucedidas na carreira, bem-humoradas, muito exigentes. Falamos de tudo: culpa, sexo, sonhos, viagens etc etc.

No final, pedi para cada uma elencar as 15 últimas coisas que compraram.  Juntas, as listas até mostram algumas coisinhas diferentes. Um livro aqui, uma cafeteira Nespresso ali, um dvd, um saco de pipocas… Mas, no resto, impressionante: roupas, acessórios, produtos de beleza, tratamentos em salões em todas as listas.

Em oito delas, aparece algum gadget (iPad, iPhone, iPod, computadores etc). Em três listas: plano de previdência privada. Em quatro listas… carros. Como assim??? Quatro mulheres nessa sala compraram carro só nessa semana??? Sim, pois é. E uma delas ainda avisou: deu um carro de presente para o filho, um universitário. Corra para comprar, Lola, corra.




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