Missão protetor solar
Tirei férias há pouco tempo e, maníaca por filtro solar que sou, aproveitei minhas idas à praia e à piscina do hotel para conferir o que outras mulheres e suas famílias estavam usando para se proteger do sol. Notícia boa: não vi ninguém pisar na areia sem carregar ao menos um frasquinho do cosmético. Notícia não tão estimulante assim: o FPS era, em geral, baixo, por volta de 15. O que me fez pensar que a conscientização dos brasileiros em relação aos efeitos danosos do sol pode até estar aumentando, mas permanece bem aquém do desejável.
De volta à redação, fui conferir com alguns fabricantes o que eles têm verificado em suas pesquisas sobre comportamento do consumidor. E é curioso. Apesar de a grande maioria da população (os números ultrapassam 70%) ter plena consciência de que o sol é perigoso e apresenta relação direta com o câncer de pele e o envelhecimento precoce, nem todo mundo quer viver embaixo de um escudo. Quase metade dos pesquisados confessa o desejo de se proteger sem abrir mão de se bronzear (uma boa explicação para o FPS 15 ser tão escolhido…) e um percentual parecido acredita que a pele morena deixa o visual mais sexy.
Para completar, apesar de sermos um país tropical e ensolarado por natureza, o filtro solar é adotado por menos que metade da população. Ou seja, por vontade própria ou por influência de fatores externos (como desconhecimento ou falta de recursos), tem muita gente Brasil afora que não percebeu que manter a pele saudável é, antes de mais nada, uma questão de atitude. E olha que não faltaram, nas últimas décadas, reportagens nas revistas e campanhas publicitárias para educar os leitores/consumidores.
Agora, os cientistas descobriram que, além dos famosos raios ultravioleta, aqueles dos quais a gente fala incessantemente, a radiação infravermelha representa um papel importante no surgimento das rugas e manchas, e talvez tenha conexão com o câncer também. Sua proposta: incluir mais um hábito na rotina de cuidados, o de passar cremes e fluidos antioxidantes toda noite. Talvez lá fora a sugestão seja aceita mais depressa, mas aqui, onde nem o protetor básico tem a adesão de consumo que merece, a moda, infelizmente, deve demorar para pegar.
Só nos resta – aos jornalistas e às empresas – escrever ainda mais textos e elaborar novas estratégias para convencer os banhistas reticentes de que usar filtro solar é bom e é necessário. Apontar os diferenciais e vantagens de cada produto, criar embalagens mais ergonômicas e texturas mais confortáveis e leves e, quem sabe, pensar em promoções que barateiem, mesmo que temporariamente, os preços, são algumas ideias.





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