Fim do homem e a guerra dos sexos
A revista CLAUDIA do mês de novembro traz depoimento de especialistas sobre o polêmico livro The End of Men and The Rise of Women (O fim do homem e a ascensão das mulheres), ainda não publicado no Brasil, em que a americana Hanna Rosin defende que, após séculos de dominação masculina, o poder será das mulheres. Ela usa como base as conquistas femininas no mercado de trabalho norte-americano após a crise de 2008, um cenário bem diferente do Brasil.
Luiz Cuschnir (psiquiatra e psicoterapeuta do Hospital das Clínicas de São Paulo, pioneiro nos estudos de gênero no Brasil) não crê no fim do poderio masculino. Mas destaca para a jornalista Maria Laura Neves, na revista Claudia, que por causa da ascensão feminina “ (…)há uma crise da masculinidade que começou há anos e ainda não foi resolvida (…)”. Marl Justad, diretor da Associação Americana de Estudos do Homem esquentou o debate nas páginas de Claudia dizendo que “ (…) o machismo se baseia na noção de superioridade inata do homem e nas diferenças absolutas entre os gêneros, que nunca foram comprovadas. Sugerir uma nova era em que o poder e as regras serão invertidos é se basear nas mesmas premissas do machismo (…)”.
Nina Madsen, antropóloga e integrante do Centro Feminista de Estudos e Assessoria (Cfemea), por sua vez, acredita que a vida do homem não foi alterada com a ascensão profissional feminina no Brasil. E destaca que “(…) ainda ganhamos 70% do salário deles. Além disso, nossa ocupação do mercado de trabalho não levou a alterações na divisão das responsabilidades em casa e dos serviços domésticos. Isso continua em nossas mãos (…)” .
O mesmo é comprovado pelo estudo Conte Com Elas do Movimento Habla, que também apresenta a carga horária de trabalho doméstico por gênero e o gender gap do mercado profissional do Brasil. Pesquisa da Catho On line mostra que altos cargos são raramente de mulheres no país.
O fim do homem é desnecessário e longe da realidade, como afirmam os especialistas consultados pela ótima reportagem da Claudia (nas bancas). O livro de Hanna Rosin esquentou a discussão sobre o gender gap, tem valia e pode servir de incentivo para que em breve as coisas se equiparem no mercado de trabalho e a era masculina acabe, para dar início a era da capacidade e não dos gêneros. Só assim a tendência Genderless ficará completa.




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