A ciência e a sabedoria oriental em sintonia para decifrar os segredos do corpo e da mente

Publicado em 19.03.12 | por

Bons tempos em que os homens eram os campeões dos males decorrentes da vida moderna. Estresse, enfarte, entre tantos outros, não faziam parte do nosso universo de preocupações. Infelizmente, esse cenário mudou e as mulheres agora competem lado a lado nesse terreno. Segundo uma pesquisa da American Psychological Association, quase o dobro das mulheres são afetadas pela depressão e a ansiedade. O resultado? Insônia, cansaço, irritação e por aí afora.

Elas também são campeãs no uso de remédios controlados para driblar esses sintomas. O bacana é que a cada dia mais mulheres ao redor do planeta estão deixando essas “muletas emocionais” de lado e tornando-se adeptas das terapias complementares como ioga, meditação, acupuntura e por aí afora. Num primeiro momento, isso não parece novo, afinal essas técnicas são usadas há milhares de ano. Mas, se antes elas eram restritas a um universo mais alternativo, hoje elas ganham cada vez mais espaço e apoio de renomados cientistas do mundo inteiro, fascinados com o bem que essas práticas podem trazer para o corpo e a alma.

Para se ter uma ideia do alcance da discussão, em sua visita ao Brasil no ano passado, o Dalai Lama reuniu-se com pesquisadores brasileiros e estrangeiros de instituições de ponta para discutir o tema “estados de consciência e os conhecimentos a cerca das práticas contemplativas, como a meditação, e seus efeitos no cérebro”. O simpósio marcava o segundo encontro dessa natureza no Brasil – o primeiro, em 2006, versou sobre Ciência e Espiritualidade -, replicando outros tantos que Sua Santidade vem realizando desde 1987 em vários pontos do planeta, para discutir as pontes entre os conhecimentos tradicionais e os científicos, sob a organização do Mind and Life Institute (instituto da mente e da vida).

Felicidade futura

Publicado em 09.03.12 | por

Somos, pelo quarto ano consecutivo, o país campeão em felicidade do mundo. A pesquisa da FGV com base em dados do Gallup World Poll em 158 países coloca o Brasil no grau 8,6 em uma avaliação que vai de zero a dez.  Entre os brasileiros felizes, mais felizes ainda estão as brasileiras, que superam as notas dos homens em nível de satisfação. O que a pesquisa mede, na verdade, é o otimismo da população em relação ao futuro próximo, 2015. Há mesmo o que comemorar até aqui: índices crescentes de escolaridade feminina em todos os níveis (somos 60% dos graduados em ensino superior no país e já superamos os homens em mestrados e doutorados), aumento de renda e oportunidades no mercado de trabalho. Mas é preciso olhar mais atentamente para esse futuro no qual depositamos tanta esperança. Temos menos filhos e cada vez mais tarde. Nosso índice de fecundidade de 1,86 fica abaixo das taxas de reposição. Em 2030, o otimista e feliz Brasil começa a diminuir sua população. Em 2040 seremos uma nação de idosos, semelhante a países como o Japão (com a diferença de que eles envelheceram ricos e nós ainda em desenvolvimento). Temos que aprender a envelhecer bem para não deixarmos nossa felicidade, esperança e otimismo murcharem no culto à eterna juventude.

O planeta e a nova classe média

Publicado em 11.11.11 | por

Como falar de sustentabilidade com mulheres que só agora começam a ter mais dinheiro e podem fazer mais escolhas de consumo e viver com mais conforto? Fiz essa reflexão esta semana no fórum Mulheres Rumo à Rio +20, um encontro em Brasília de mulheres formadoras de opinião para ajudar na preparação de um documento que contemple a sustentabilidade do ponto de vista feminino. Nesse fórum apresentei o estudo sobre a mulher da nova classe média realizado este ano pelo núcleo de revistas femininas populares da Abril em parceria com o instituto de pesquisas DataPopular. 

Algumas ideias para contrinuir para esse debate: é impossível pensar em sustentabilidade se não engajarmos a classe média brasileira, já que nos últimos anos o Brasil se tornou um país majoritariamente de classe média e mais 30 milhões de pessoas se juntarão a esse pelotão nos próximos anos. A mulher da nova classe média é, cada vez mais, a detentora do poder de decisão familiar — porque tem mais estudo, porque contribui com quase metade da renda e porque é quem realiza as compras da casa, e portanto faz escolhas. Essas mulheres estão encantadas com sua nova situação econômica, então é difícil virar para elas e dizer que bem agora que elas podem instalar o primeiro ar condicionado nas suas casas, é melhor para o planeta que a gente abra mão desse conforto. Seria algo como dizer para recém-chegados a uma festa que vamos ter que tirar a música… 

Por outro lado, a pesquisa da Abril mostra alguns dados que podem servir de caminhos interessantes para falar com essas mulheres: elas estão muito preocupadas com a saúde e entendem o conceito da prevenção; elas querem um futuro melhor para os seus filhos; e elas não podem gastar seu dinheiro errado, então querem comprar certo e fazer o dinheiro render, economizando onde for possível. Acredito que apresentar a sustentabilidade pelo viés da economia que podemos fazer nas nossas casas e do investimento em saúde que estaremos fazendo para nós mesmas e principalmente para nossos filhos é um jeito mais efetivo de falar ao coração da nova mulher da nova classe média (duas vezes a palavra “nova”, sim!). 

É dessa forma que temos tentado trabalhar esse conceito na revista MÁXIMA, o título da Abril criado para essa mulher. O feedback que temos das leitoras é muito positivo para os dois selos que utilizamos: ”O planeta agradece” e Você economiza, o planeta agradece”.

Apertem os cintos: o QI subiu!

Publicado em 20.10.11 | por

Lembro de quando me levaram para fazer um teste de QI. Eu devia ter uns 12 anos e meu rendimento na escola tinha tombado violentamente. Minha mãe me virou de cabeça para baixo: até exame neurológico ela me levou para fazer.

Com os resultados em mãos, levei uma bronca antológica. O eletroencefalograma deu rigorosamente normal e o QI acima da média: 134. Durante anos, este número foi motivo de discussão. Sempre achei incrível ser “acima da média”. Até ontem.

A revista Nature publicou ontem o resultado de uma pesquisa realizada com 33 meninos e meninas, com idades entre 13 e 16 anos. Há quatro anos eles foram submetidos ao teste de QI, repetido agora. Trinta e nove por cento apresentaram alterações no valor: alguns para mais, outros para menos. Isso apareceu em áreas do cérebro, registradas em tumografias.

Porém a grande descoberta é que QI não é imutável.

Tenho certeza que estou escrevendo em linhas superficiais: ninguém é inteligente. Você pode estar inteligente e emburrecer. Ou vice-versa.

Uma das explicações da autora do estudo, a professora Cathy Price, da Universidade College London, é que cada um amadurece em um período diferente. Alguns mais novos, outros mais velhos.

Por isso, mais que nunca, cada caso é um caso.

E eu, que já não sei se tenho mais 134 de QI…




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