A internet muda nossa personalidade (para pior)

Publicado em 22.05.12 | por

Publicamos uma matéria na revista NOVA que mostra como a internet está mudando a personalidade das pessoas – para pior. Na verdade, o que os estudiosos do tema dizem é que o anonimato garantido pela web está apenas dando um empurrãozinho para que liberemos traços de personalidade negativos que já estavam ali, escondidos. Um dos especialistas que captou essa tendência foi o psicólogo americano Elias Aboujaoud, autor do recém-lançado Virtually You: The Dangerous Powers Of The e-Personality (virtualmente você: os perigosos poderes da e-personalidade). Ele conta como a rede dá vazão a esses traços de personalidade que, sem ela, provavelmente não se manifestariam. E como eles se incorporam ao nosso eu off-line. Teclando em casa, no escritório ou em qualquer outro lugar que não possa ser vista, a pessoa parece esquecer que faz parte do mundo real, onde todos os atos têm implicações. Baseadas no livro e em conversas com estudiosos do tema, listamos os principais perigos de deixar o “eu virtual” contaminar o real:

1)      Fazer compras compulsivamente: Usar o cartão de crédito para fazer compras online é como brincar de banco imobiliário. Você não precisa desembolsar nada na hora, basta digitar o número do cartão e pronto.

2)      Tornar-se narcisista: Aboujaoud diz que o narcisista sempre se sentiu perfeito, mas a internet dá a ele a oportunidade de deixar isso transparecer ainda mais (falar de si próprio o tempo todo nas redes sociais: o que fez o que comeu, onde esteve etc.).

3)      Perder a noção do que é privado: Algumas pessoas – talvez até reservadas na vida privada – perdem totalmente a noção de privacidade e fazem das suas redes sociais um livro escancarado. (Quem já não viu uma amiga com um biquíni escandaloso no Facebook, ou a secretária do outro departamento em uma foto sexy demais no Skype?).

4)      Ser grosseiro, intolerante e preconceituoso: Um exemplo recente foi a repercussão nas redes sociais da notícia sobre o câncer do ex-presidente Lula. Antes mesmo que os médicos pudessem decidir qual seria o tratamento, começaram a pipocar no Facebook e no Twitter comentários desagradáveis. Iam desde o mais leve “quero ver agora se tratar no SUS” até alguns impublicáveis.

Os três primeiros itens são os que mais se refletem na vida da nossa leitora (na verdade, no das mulheres em geral): o consumismo, que ganha proporções ainda maiores com as compras online, e o narcisismo e falta de privacidade no Facebook e nas redes sociais. O resultado na vida real são conta bancária falida e problemas na vida pessoal e profissional por conta da exposição exagerada nas redes sociais.

F.O.M.O.

Publicado em 25.07.11 | por

Ando reunindo informações e opiniões a respeito do “mal do século” (seria mais correto chamar de mal do minuto dada a velocidade com que as coisas acontecem e desacontecem na era digital). É o F.O.M.O,  fear of missing out, em português , “medo de estar perdendo algo”. Algo que eu deveria, neste exato segundo, estar twitando, postando, curtindo, enviando, fotoblogando, conectando, midiasocializando.  Uma das conseqüências danosas da doença FOMO é a indigestão crônica da quantidade de informação engolida e não processada. As mulheres da nossa rede Habla trouxeram, como tendência e desejo, a necessidade de uma dieta  blackout regular,  um pedido de socorro de quem quer voltar a olhar para o ser da mesma espécie e falar com ele sem ter que acionar a tecla enviar. A jornalista Lucia Guimarães, do Estadão,  publicou no último sábado uma entrevista genial com o escritor russo-americano Gary Shteyngart, autor do recém- lançado romance Uma História de Amor Real e Supertriste, em que falaram do assunto em trechos como os que reproduzo aqui:

numa universidade novaiorquina, há um estranho curso de orientação para calouros. É uma espécie de fisioterapia verbal para quem só consegue se comunicar em torpedos ou via Facebook. Privados de seus smartphones, os alunos vão para a frente da turma e tem que aprender a se apresentar:

Eu sou fulano, nasci em tal lugar, vim para cá por tal e qual motivo..”

Houve um tempo em que éramos julgados, em parte, pela capacidade de interagir com nossos companheiros de espécie biológica. ‘Hoje”, lembra Shteyngart, “celebramos esquisitões antissociais como  Mark Zuckerberg. Não saber se expressar virou um charme. É o autismo verbal como virtude.

Autismo verbal: mais uma patologia FOMO?

O futuro é divertido?

Publicado em 23.06.11 | por

O excelente workshop de Mídias Sociais promovido pela UN 1 na Editora Abril trouxe palestrantes de primeira linha e cases inspiradores do que está acontecendo no mundo das soluções virtuais e plataformas de rede. Gamificação,  o tema da hora , abordado por Roberto Martini, presidente da agencia Cubocc, foi um dos tópicos mais instigantes. Faço aqui um rápido e raso resumo: a comunicação eficiente com o novo consumidor deve ser divertida, desafiadora e gratificante como um game.

Sua mente condicionada à emoção, ou melhor, ao frenesi provocado pelos jogos digitais reage visceral e positivamente ao processo interativo mais simples: o indivíduo dá um comando e alguma coisa acontece.  Essa alguma coisa  deve ser surpreendente, inteligente e , claro, emocionante. E deve fazer você identificar naquela marca ou produto por trás da ação alguma coisa positiva. Como no roteiro de um game,  a recompensa é parte do jogo mas nem sempre o que mais conta. Ações geram reações e podem, no contexto próprio, vender tênis e hambúrgueres mas também fazer você reciclar lixo e melhorar o mundo.

E o que o Movimento Habla tem com isso? As mulheres não só fazem parte dessa geração “gamificada” (um número arrepiante : o game Angrybirds tem 1 milhão de downloads por dia) como são a grande maioria desse público: 77% das mulheres (que são as maiores freqüentadoras das mídias sociais) jogam em rede. Quem quiser falar com elas tem que entrar e conhecer as regras desse jogo.

Vejam dois exemplos incríveis de gamificação:

http://youtu.be/Km_MzV4AI2o

http://youtu.be/7u0ij9D5S4Y




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