As mulheres enfrentam uma grande dificuldade em manterem a formalidade da instituição do casamento. Valorizam a união, mas propõem novos formatos, recontratam as relações de forma que as divisões de espaço e papéis se tornem mais maleáveis e condizentes com seu novo lugar na sociedade, sem se preocupar com o julgamento social.
Uma das consequências da sua autonomia social foi o esvaziamento dos mitos de que a felicidade ou a realização pessoal depende do outro. Cai o sonho do príncipe encantado e surge uma mulher mais prática e objetiva na conciliação de interesses com seu par.
Em tempos virtuais, uma suposta carta escrita a mão por um garoto de 8 anos vai se espalhando pela web. Nas palavras do material, o menino Carter Gustafson endereça para o estado de Minessota (onde vive com suas duas mães) cinco dúvidas sobre o futuro do casamento gay e pede para que votem a favor da união legal entre pessoas do mesmo sexo. Como mostra a imagem da carta que circula pela web, Carter escreveu: “O que importa se (o casal é ) mulher e mulher ou homem e mulher? Qual a diferença?”, “Se a lei (da proibição do casamento gay) for aprovada, vamos continuar a ser uma família?”, “Sendo o casamento gay ilegal, minhas mães podem ir para a prisão? Saber isso é muito importante para mim porque amo muito as duas!”, “Quem criou essa lei (que condena o casamento gay)? Não faz o menor sentido para mim. Não é o amor que forma as famílias?”.
A revista LOLA de fevereiro (2012) traz uma ótima reportagem de Carol Vaisman e Luciana Ackermann: "Se tem filho por perto, tem que ser fino". Com depoimentos de pais separados que alimentam relações de amizade e cumplicidade com seus ex-parceiros, e principlamente o laço familiar com os filhos, a matéria mostra que o casamento acaba, mas a família continua. E traz entrevistas com Lidia Arantagy (psicóloga e terapeutas de casais) e com Luiz Cuschnir (psiquiatra, psicoterapeuta e supervisor de Psicoterapia do Instituto de Psiquiatria do HC da Faculdade de Medicina da USP). Um excelente recorte da atual (e ideal) famíla repaginada. Nas bancas.
Destaque do 63º Emmy, a série americana Modern Family levou 5 estatuetas (melhor série de comédia, melhor atriz e melhor ator coadjuvante em série de comédia, melhor roteiro de série de comédia e melhor direção de série de comédia) na premiação. Fato que comprova a qualidade da ficção e o interesse e reconhecimento do público por uma família fictícia envolvida em questões cada vez mais reais. Transmitida pelo canal FOX, Modern Family traz Jay Pritchett (Ed O'Neill), um senhor americano casado com uma mulher latina muito mais nova que ele, e mãe de um adolescente. Jay é pai de Mitchell (Jesse Tyler) - casado com Cameron (Eric Stonestreet), com quem cria um bebê adotado, nascido no Vietnã – e de Claire (Julie Bowen) - casada com Phill (Ty Burrell) e mãe de três filhos de gostos e modos completamente diferentes. Ou seja, Jay é patriarca de uma família que não lembra em nada a retratada no seriado Papai Sabe Tudo, sucesso da TV nos anos 50.
Nesta quarta-feira (22/06/12), aconteceu o primeiro casamento civil gay coletivo do país. No total, 43 casais homossexuais registraram a união estável no auditório da Secretaria Estadual de Direitos Humanos, no Rio de Janeiro. O evento teve 2 horas de duração e o apoio do Programa Rio Sem Homofobia, do Governo do Estado do Rio de Janeiro. Mais de 400 convidados dos casais participaram da celebração civil. Alguns noivos e noivas não dispensaram o dress code tradicional: fraque para eles; vestido e véu para elas. O formato promete novas edições e confirma tanto a tendência do Casamento repaginado, quanto a Genderless. O mundo atual é de Fronteiras Permeáveis, e muita liberdade.
Especialmente para a revista LOLA, o ex-jogador de futebol Toninho Cerezo escreveu uma carta aberta à Lea T., sua filha e transexual. “A paternidade é livre de qualquer padrão, de qualquer critério imposto pela sociedade, filho deve ser aceito na sua totalidade, na sua integral condição de vida, independentemente de sua orientação sexual (...) Menino ou menina, Leandro ou Lea, não importa mais, sempre serei seu pai e você, orgulhosamente, um pedaço de mim”.
O jornal britânico The Independent revelou uma tendência entre os casais e a apelidou como LAT - Living Apart but Together, ou seja, “vivendo juntos, mas separados”. Como exemplo de personalidades que se enquadram na nova categoria, os chamados LATs, o jornal citou o prefeito de Londres Boris Johnson, que havia se mudado para um apartamento alugado a poucas quadras do endereço de sua esposa Marina e dos filhos. Segundo a publicação, um estudo realizado em 2007 revelou que um em cada vinte casais escolhe viver em lares distintos, e há perspectivas para o crescimento do formato. Uma das explicações, de acordo com a reportagem, seria o fato de que hoje as pessoas saem da casa dos pais e vivem a experiência de morar sozinhas antes de encontrarem a cara metade – depois de experimentarem a independência, fica difícil dividir o espaço com um parceiro e ter de passar a vida negociando hábitos corriqueiros como quem vai colocar o lixo para fora. O aumento de pessoas que trabalham em casa e a crença de que a distância ajuda a manter o relacionamento aquecido são outros argumentos que reforçariam a tendência do LATs.
Para Cristina, 34 anos, entrevistada do Pensou Mulher Pensou Abril (ex-Habla), o casamento tradicional não faz sentido.
No ensaio fotográfico Fallen Princesses, a canadense Dina Goldstein dá sua interpretação bem humorada sobre o “day after” dos contos de fadas. O final feliz de Branca de Neve e seu príncipe, pelo jeito, ficou apenas nos livros...
A psicanalista Regina Navarro Lins vem se debruçando, nos últimos dez anos, sobre o tema dos relacionamentos amorosos. Em 2000 ela montou uma pesquisa online que durou nove anos. As conclusões são reveladas em dois livros: “A cama na rede: o que os brasileiros pensam sobre amor e sexo” e “Se eu fosse você...” (ambos da Editora Best Seller), lançados no final de 2010. Uma das tendências apontadas é a de que a ideia do amor romântico, que idealiza um parceiro perfeito, está perdendo força, abrindo espaço para outros tipos de relacionamento, como o poliamor – que permite amar mais de uma pessoa ao mesmo tempo. Até o final de 2011 ela deve lançar sua 11ª obra, “O livro do amor”, onde esmiúça o conceito cronologicamente, desde a pré-história até a atualidade. “O amor é uma construção social, e em cada época se apresenta de uma forma. Isso significa que pode mudar completamente daqui em diante também”, disse em entrevista ao portal UOL. “Neste momento, os padrões tradicionais de comportamento não estão dando mais respostas. Não tendo mais modelos para se apoiar, abre-se a possibilidade de cada um escolher sua forma de viver.”