Sinais das Ruas

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Poder, tempo, maternidade e Marissa Mayer

23.07.2012
marissa-mayer

Divulgação

Com 13 anos de conquistas no Google em seu curriculum, Marissa Mayer foi a escolhida para dirigir a empresa Yahoo. Ou melhor, Marissa foi a escolhida para recuperar a empresa. Desde que o anuncio do novo cargo foi feito, muito se falou sobre Marissa, que é uma das profissionais mais admiradas do Vale do Silício. Comentaram sobre o fato de ela ser mulher, de sua potente capacidade profissional ( ela idealizou e executou o sistema de buscas/pesquisas do Google) , sua beleza, sobre o e-mail de incentivo que mandou para os funcionários do Yahoo ( pedindo que eles continuassem a trabalhar duro enquanto ela analisava a situação da empresa), sobre o seu salário ( US$ 12 milhões anuais) e sobre o fato de ela topar salvar o Yahoo no sexto mês de gravidez, aos 37 anos.

Sim, Marissa assume um alto cargo executivo semanas antes de dar a luz, e abriu mão da licença maternidade. Sobre conciliar a gravidez e as altas expectativas do desafiador cargo, há um ótimo artigo do sociólogo Marcelo Medeiros (professor da Universidade de Brasília) no caderno Aliás, do jornal O Estado de S. Paulo, de 22 de julho (leia aqui). Entre pertinentes observações, o sociólogo diz que antes de dizer sim ao desafio, Marissa exigiu apenas uma coisa: que tivesse a liberdade de sair todos os dias às 17 e 30 do escritório, a exemplo de Sheryl Sandberg (COO do Facebook), para poder ter tempo de qualidade com a família. E assim deu a pista de que o tempo feminino é o grande desejo e luxo da vez. Além de ter mostrado que ela tem em casa uma rede de funcionárias que é cada vez mais rara na casa de mulheres que trabalham duro como ela, mas recebem beeem menos por isso.

O Movimento Habla já abordou a necessidade da conquista do tempo feminino ( veja entrevista com Rosiska Darcy Oliveira) e a escassez de ajuda doméstica (saiba mais). Assim como a nova atitude feminina de dizer não para algumas convenções para assim poder dizer sim para mais qualidade de vida. Aqui, já falamos também sobre as novas cuidadoras, e por isso, chamou a atenção uma matéria publicada em um site americano que diz que empresas em crise, como o Yahoo, preferem contratar mulheres para salvá-las ao invés de homens.

Pesquisadores britânicos analisaram 100 empresas em crise antes de dar tal afirmação. E psicólogos chegaram a conclusão de que essa preferência se dá pelo estilo feminino de dirigir uma empresa ou a vida. Eles também destacaram que características masculinas, como intransigência e competitividade, só atrapalham na hora de recuperar uma empresa. Marissa Mayer parece estar seguindo uma linha mais feminina (afinal, há mulheres poderosas e com personas profissionais masculinizadas). E uma boa amostra é o primeiro comunicado que enviou via e-mail aos funcionários do Yahoo. A mensagem, já citada aqui, foi, digamos, acolhedora. Algo como : “tudo vai dar certo, fiquem tranqüilos! “. Agora, é esperar os próximos capítulos.

ASSUNTOS: Marissa Mayer, Yahoo, Google

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