As mulheres tomam a iniciativa para (sozinhas ou em grupos) colocar ideias em prática com o objetivo de compartilhar, multiplicar e transformar o universo ao seu redor. Elas acreditam no poder do coletivo e trabalham em redes para entregar ao próximo o melhor.
As mulheres inovadoras se juntam para multiplicar forças e crenças, como se inspiradas pelos ensinamentos de Gandhi: ‘seja a mudança que você quer ver no mundo’. Assim, elas vão construindo e desconstruindo grupos para ensinar, trocar, pensar e multiplicar conhecimento, boas mensagens e, principalmente, mudanças. Consideram-se buscadoras incessantes da verdade e servidoras da sociedade.
A agência americana Intelligence Group entrevistou 900 pessoas com idades entre 14 e 34 anos para saber quem poderia de fato fazer o mundo melhor, e deram como alternativa Barack Obama, Mark Zuckerberg, Oprah, Greenpeace, Apple ou os próprios entrevistados. A maioria disse que eles próprios são os mais capazes de transformar o mundo, começando por iniciativas pessoais, indo para outras que envolvem o meio em que vivem, para depois atingir os outros. A filosofia multiplicadora também é aplicada na hora da decisão do voto: 73% dos entrevistados afirmaram que irão endereçar seu voto para o candidato a presidência com maior capacidade de fazer o bem pelo mundo, e não só pelo país ou para o próprio eleitor.
Uma turma de São Paulo decidiu chamar a atenção para o péssimo estado de conservação das calçadas da cidade de uma maneira criativa, lúdica e crítica: colando curativos artsy em cima dos buracos que encontravam (com facilidade) pela cidade. A ação dos band aids gigantes se multiplicou pela web, chegou ao Rio de Janeiro e Porto Alegre, e ganha muitos adeptos na página oficial do movimento Curativos Urbanos no Facebook. O melhor: já há posts mostrando calçadas restauradas, no estilo antes e depois. Para ver o video do movimento, clique aqui.
Carla Meireles, Gabi Brittes, Tati Weberman e Rodrigo Guima trabalham com cinema e publicidade, e em março de 2012 decidiram colocar em prática um antigo plano: espalhar amor por São Paulo. Assim, depois de mapear a capital paulista, na madrugada do dia 5 de março, com mais 16 amigos, saíram pela cidade munidos de corações de isopor vermelho endereçados às estátuas de SP. “As pessoas estão condicionadas a achar que São Paulo é rude, mas não é. Nosso objetivo é fazer lembrar que em São Paulo também há poesia, assim como há amor e poesia em outras grandes cidades”, conta Carla. A ação lúdica fez buzz offline (além da reação positiva das pessoas, um casal de morador de rua emprestou o coração de uma das estátuas) e on line. E depois disso, eles incentivaram pessoas a fazer o mesmo em suas cidades por meio de uma rede criada no Facebook. “Lançamos o #aquibateumcoracao, a iniciativa é nossa, mas o projeto não é nosso. Está aí para quem quiser replicar no lugar em que quiser replicar”, explica Carla. Deu certo. Entusiastas replicaram a ação em Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Salvador, Campinas, Goiania, Blumenau, Cidade do México, Londres e mais. Algumas vezes com a turma original do projeto, outras sem. O #aquibateumcoração não visa nem gera lucro financeiro. A recompensa do projeto é sua multiplicidade e a propagação do amor e de sorrisos.Para saber mais, clique aqui.
Em janeiro de 2011, a artista plástica Catarina Gushiken decidiu dar uma ajeitadinha em uma escadaria que descia todos os dias a caminho do trabalho, no bairro da Aclimação, em São Paulo. Primeiro, varreu sozinha o espaço, lavou e tirou entulho. Depois, passou a pintar o lugar. Chamou a atenção dos vizinhos e o interesse dos alunos de seu ateliê de pintura (foto) e, sem planejar, formou um mutirão que deixa a escadaria cada dia mais digna. Amigos artistas colaboram com a ação, que em maio de 2012, ganhou apoio da prefeitura ( garis são vistos por lá) e dos prédios que ficam nas margens da escadaria. Os dois cederam as paredes que dão para a escadaria para que a turma coloque arte por lá. Em agosto, eles pretendem finalizar a arte toda e contar com a iluminação do local, que antes da ação era usado para o consumo de crack durante as madrugadas. Catarina não ganha um centavo com sua dedicação. Sua recompensa é ter uma cidade melhor para viver e observar como sua iniciativa contagiou o bairro. Para ver vídeos da ação Pintando a Aclimação, clique aqui e aqui.
Há seis anos, as inglesas Mary Clear e Pamela Warhurst decidiram cultivar hortas comunitárias na cidade de Todmorden, em Yorkshire, Inglaterra. O objetivo era ocupar espaços vazios e sem uso, como o pátio da igreja, para oferecer comida fresca e gratuita e, ao mesmo tempo, incentivar outros moradores da cidade de 11 mil habitantes a reproduzir o modelo. Deu certo. Sem escritório, telefone, patrocinador, site ou mídia social, elas conseguiram espalhar a ideia, que tornou a pequena cidade famosa no mundo todo. O crescimento do projeto Incredible Edible é assunto da mídia internacional. E a prefeitura de Todmorden doa espaços para novas plantações, além de ceder locais públicos para a prática. Há hortas na delegacia, nas praças,e todos podem plantar e colher. Tudo é coletivo. Para completar, o cultivo de hortas entrou para o currículo escolar do pedaço.
Fundada pela grafiteira e ativista Pamela Castro, a Rede Nami é uma rede de mulheres do Rio de Janeiro criada com a intenção de multiplicar debates sobre a valorização da mulher na sociedade. “Afirmamos a existência de cada mulher com quem trabalhamos e estimulamos questionamentos individuais relacionados à sua participação no local em que vivem. As integrantes da Rede Nami atuam nas mais diversas áreas profissionais (...) Somos cidadãs e buscamos as transformações na imagem e posição da mulher hoje em nossa sociedade”, diz o site do projeto.
Idealizado pela arquiteta Marina Morelli como trabalho final de graduação na Escola Da Cidade (SP), o site “Vá Pra Feira” nasceu da vontade que Marina tinha de produzir um material que discutisse questões urbanas, podendo levar tal discussão para outras pessoas, e não somente para arquitetos e urbanistas. Morando em SP e acostumada a frequentar as feiras livres tanto como opção de comércio justo quanto saudável e das trocas pessoais, o site objetiva promover e preservar as tradicionais feiras populares de alimentos, que estão cada vez menores, devido à falta de incentivo público e do governo.Para multiplicar ainda mais a idea, clique aqui.