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O Rio + 20 (conferência das Nações Unidas sobre desenvolvimento sustentável) começa dia 13 de junho e segue até o dia 22. E a edição de junho da revista Claudia traz uma entrevista com o organizador do evento, o economista e ambientalista Sérgio Besserman Vianna. Ele acredita que as mulheres (cuidadoras que são) irão salvar o mundo, e conversou sobre essa grande responsabilidade com a repórter Mariana Sgarioni. Para conferir a íntegra, garanta seu exemplar nas bancas, aqui o Movimento Habla dá uma palhinha da ótima entrevista, acompanhada de foto de Daryan Dornelles.
Você considera que as mulheres estão no centro das grandes transformações que o mundo deve enfrentar nos próximos anos. O que fez com que pensasse assim?
Se eu achasse a lâmpada de Aladim e o gênio me dissesse: você tem direito a um desejo para o desenvolvimento sustentável. Só um. Eu, sinceramente, escolheria: acesso à informação e direito à liberdade sobre o próprio corpo para todas as mulheres do mundo. Para o desenvolvimento sustentável da humanidade, qualquer que seja sua cultura, as mulheres têm que ter acesso à informação, ao conhecimento, à liberdade sobre o próprio corpo (...)
De que modo isso se conecta com a ideia de desenvolvimento sustentável?
Primeiro, pelo impacto imediato na taxa de fecundidade. É estatístico: quanto mais informação e conhecimento, menos filhos as mulheres terão e correrão menos risco de perdê-los se os tiverem. Em segundo lugar, é o empoderamento das mulheres. Mulheres mais poderosas podem ser um impulso para transformar a consciência que todos nós temos a respeito do tempo. A humanidade precisa desesperadamente pensar num tempo maior: que impacto terão as coisas que fazemos hoje nos próximos 30, 40 anos. Nós nunca fizemos isso. As mulheres são mais conscientes do tempo: o sentimento do futuro está muito presente nelas, porque pensam nos filhos, nos netos.
As mulheres que chegaram ao poder estão demonstrando essa responsabilidade?
Infelizmente, não. Ainda não se percebe diferença em relação aos homens, e assim não funciona. Não é dessas mulheres que estou falando. Estou falando daquelas que marcam presença como centro da transformação dentro de casa, nas famílias, nas redes sociais. Existe uma piada antiga em Israel que dizia que Golda Meir (ex-primeira-ministra e uma das fundadoras do Estado de Israel) era o melhor dos nossos homens. A presidenta Dilma Rousseff certamente também é a melhor dos nossos homens.
Isso porque o mundo atual ainda considera os moldes masculinos mais eficientes.
Sim. Essa ideia aparece até na forma idiota como medimos se estamos indo para a frente ou para trás: o PIB. Ele já é ruim para medir o crescimento econômico por razões técnicas. Mas, além disso, discrimina completamente o trabalho doméstico, por exemplo. Se uma mulher trabalhar em casa cuidando dos filhos, ela não entra em nenhum lugar na economia. Mas, se o marido lhe der algum dinheiro para fazer aquilo, aí está no PIB: o que vale é a economia de mercado. Educar um cidadão não vale nada. Precisamos de mais empatia, de compaixão, de valores essencialmente femininos. Não apenas porque são bonitos, mas porque ajudam na construção de um mundo sustentável.